Resiliência x Antifragilidade – Quem vence?

Imagem de Rudy and Peter Skitterians por Pixabay

Adaptação sempre foi questão de sobrevivência

Nos últimos anos o mercado de trabalho tem exigido uma nova postura e habilidade dos profissionais. Desde os mais novos até os mais velhos, uma das características mais desejadas é a capacidade de adaptação.

Vivemos em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Um mundo em que, de acordo com Eric Schmidt, ex presidente do Google, “a cada dois dias geramos um volume de dados equivalente ao que criamos do início da civilização até 2003”.

A mudança acontece diariamente. E é nesse mundo feroz e veloz que o ensinamento de Darwin se potencializa:

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”

Resiliência

Diante da necessidade de adaptação surgiu uma palavra: resiliência.

Você provavelmente já ouviu falar. É possível que alguém tenha te aconselhado a ser mais resiliente. A questão é: você sabe qual o significado de resiliência?

A palavra tem origem no campo da física. Trata-se da capacidade de voltar ao seu estado normal depois de sofrer fortes pressões que poderiam ser deformadoras. Ou seja, a pessoa resiliente é aquela que, mesmo sendo pressionada, consegue retornar e retomar sua forma original. 

Além da resistência

Ser resiliente é, sem dúvida, uma excelente competência. Contudo, ser apenas resiliente, não é mais suficiente.

É bom – e imprescindível – que sejamos capazes de suportar às pressões. Mas regressar ao estado anterior, ao nosso “antigo eu”, significa que passamos por dificuldades e superamos, mas não aprendemos, não crescemos e, portanto, não evoluímos.

É como se a resiliência, quando é praticada de maneira isolada, nos tornasse, de certa forma, resistentes ao nosso próprio progresso.

Mais do que resiliente: antifrágil

Apesar de parecerem iguais, resiliência e antifragilidade são ideias diferentes.

Entendemos que resiliente é aquele que suporta situações extremas mas, ao final da pressão, volta ao seu estado original.  E, ao contrário do que imaginam, antifrágil é exatamente o oposto de frágil: é aquele que consegue melhorar e crescer mesmo em situações inesperadas.

E a vencedora é…!

Se resiliência e antifragilidade travassem uma batalha, a antifragilidade sairia vencedora. Contudo, não devemos desconsiderar ou diminuir a importância da resiliência. Na verdade, considero a antifragilidade como a resiliência aperfeiçoada. Observe os exemplos:

Quando uma pessoa está resfriada o sistema imunológico trabalha para combater o vírus que está causando o resfriado e comprometendo o bem estar e a saúde do indivíduo. Durante esse processo as células de defesa se especializaram para combater o agente causador. Isso significa que da próxima vez que a pessoa ficar resfriada, suas defesas estarão preparadas, agindo com mais velocidade, eficiência e eficácia.

É como se nosso corpo tivesse milhares de soldados que, após enfrentarem seu adversário, mais preparados estão para a batalha seguinte. Logo, quando a pessoa se recupera, ela não está apenas saudável, e sim mais preparada para, no futuro, enfrentar o vírus que causou o resfriado

Os músculos são outro bom exemplo de antifragilidade. Quando você os expõe a uma quantidade regulada de stress proporcionado por pesos ou aparelhos, eles crescem. O desgaste muscular faz o músculo evoluir.

As vantagens de ser antifrágil

O conceito de antifrágil foi criado pelo filósofo e economista libanês Nassim Taleb. No livro lançado em 2012, “Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos”, o autor afirma que ser antifrágil é crescer e melhorar mesmo em situações improváveis e imprevisíveis. É ser mais do que resiliente. 

E como isso pode ser aplicado no nosso dia a dia? É simples.
Quando somos pressionados podemos – e devemos – buscar crescimento e desenvolvimento. Sabemos que a ideia de ser resiliente e voltar à posição “normal” sem alterações não é o bastante. Pelo contrário; precisamos absorver e assimilar aprendizados. 

Aquele que busca a antifragilidade compreende que é preciso e é absolutamente possível crescer em momentos de pressão intensa. Consequentemente, a cada situação inesperada que acontece, o antifrágil sai ainda mais fortalecido.

Temos o hábito de evitar mudanças que nos tirem daquele caminho seguro e confiável, que nos arranquem da nossa zona de conforto e desfaçam os planos que traçamos inicialmente. A antifragilidade, porém, consegue transformar essas situações inesperadas em grandes possibilidades de crescimento e desenvolvimento. Você enxerga oportunidades!

Inteligência Emocional é a base da antifragilidade

A maneira com que você administra suas emoções é que te torna antifrágil. E essa capacidade de gerir sentimentos nada mais é do que Inteligência Emocional.

Aqueles que avaliam, entendem e priorizam sua Inteligência Emocional estão mais bem preparados para viver nesse período de incertezas, se beneficiando das surpresas e praticando a antifragilidade. Essas pessoas vão além pois se desenvolvem em meio a cenários caóticos.

Um novo olhar

Ser antifrágil muda a maneira com que enxergamos as coisas. Se antes considerávamos o mundo como um emaranhado de incertezas, problemas e dificuldades, passamos a vê-lo como infinitas possibilidades de crescimento, amadurecimento e evolução.

Não estou afirmando que ser antifrágil é ver o mundo cor de rosa ou acreditar que a vida é um mar de rosas. Não estou falando que você deve ser aquela pessoa demasiadamente positiva, que busca o “lado bom” de tudo. Estou dizendo que a antifragilidade aumenta nossa consciência, nos torna protagonistas de nossas vidas e nos impulsiona a enfrentar os dilemas e desafios, mesmo que o medo ainda exista.

Não tem problema. Vai com medo mesmo.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

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