Dom. Missão. Propósito. – Entenda como e por que essas três palavras estão transformando o nosso modo de viver e trabalhar

Mulher trabalhando
Imagem de StockSnap por Pixabay

O homem e o trabalho, o trabalho e o homem

O trabalho, durante muitos anos, foi compreendido como o provedor. Como aquele que paga as contas no final do mês, como aquele que nos permite adquirir bem materiais. O empenho no trabalho era a forma de se conquistar altos cargos, elevados salários. O trabalho possibilitava conhecer pessoas, se tornar influente. O trabalho esteve em primeiro lugar na lista de prioridades de homens e mulheres. O trabalho era o produto mais valioso e desejado.

Sim, o trabalho continua sendo o provedor. Nossos salários pagam as contas do final do mês e possibilitam adquirir bens. Sim, o trabalho continua sendo valioso e desejado, principalmente em tempos de crise. Sim, existem fatores que permanecem inalterados. Existe, porém, um pequeno detalhe que mudou a nossa relação com o trabalho – e com a vida.

Mas por que fazemos o que fazemos?

Até pouco tempo atrás era aceitável (e comum) que as pessoas “trabalhassem por trabalhar.” Já ouvi a seguinte frase:

Trabalho é trabalho. Não tem que gostar.

As gerações que nos antecederam se acostumaram à necessidade do trabalho, a necessidade de colocar o pão na mesa e sustentar a família. A relação que se tinha com o trabalho era fria e distante. O trabalho era um mundo a parte.

A tecnologia estreitou – e muito – a distância entre vida pessoal e vida profissional. Com a chegada da internet, computadores e celulares, se tornou natural que as pessoas durmam trabalhando e acordem trabalhando. Elas começam a trabalhar antes mesmo de chegarem ao trabalho.  E como foi possível observar nos últimos meses, podemos trabalhar sem sair de casa; o novo conhecido de muitos, o home office.

Mas existe uma mudança que antecede o home office ou o chamado “novo normal”. Eu defino essa mudança baseada em três palavrinhas mágicas: dom, missão e propósito. Hoje existe uma busca incessante por: exercer o seu dom, entender qual é a sua missão e encontrar o seu propósito.

A busca continua

Essa busca contínua mudou e continua mudando a maneira com que vivemos e trabalhamos. Porque hoje desejamos mais do que um trabalho que pague as contas; desejamos um trabalho que possibilite equilíbrio, que nos permita ter qualidade de vida. Desejamos mais do que altos cargos; desejamos reconhecimento. Desejamos mais do que influência; desejamos ser ouvidos.

Essa nova geração – e eu me incluo nela – deseja mais do que um emprego. Desejamos fazer parte de algo maior. Essa geração almeja construir uma carreira baseada em valores. Uma carreira, seja dentro de uma multinacional, um unicórnio, uma agência, uma start up, que lhe dê oportunidade para colocar em prática aquilo que faz de melhor: seu dom.

O dom, a missão e o propósito

O dom, aquilo que fazemos de maneira única e extraordinária. Aquilo que nos dá prazer, que parece estar no nosso sangue. Aquilo que fazemos com paixão e brilho nos olhos. Aquilo que fazemos acima da média. O talento que nos destaca.

Esse dom normalmente nos orienta a descobrir nossa missão. Missão é a nossa razão de ser, o papel que exercemos no mundo; nossa missão de vida. O dom é uma manifestação dessa missão. O dom é a expressão mais pura e genuína de uma missão.

Através do entendimento do dom e da missão, passamos a questionar e procurar nosso propósito. O propósito é o porquê fazemos o que fazemos, qual é a nossa intenção, qual é o impacto que geramos no mundo.

Um lugar para chamar de meu

O trabalho ainda é uma das maiores realizações pessoais do ser humano. O trabalho ainda dignifica o homem. E é justamente por isso que agora, mais do que nunca, buscamos empregos, empresas e carreiras alinhadas com nossos dons, missões e propósitos.

Propósito é uma das palavras do momento. Líderes querem saber qual o propósito de seus liderados. Empresas querem saber qual o propósito de seus líderes. E diariamente nos fazem a pergunta: qual é o seu propósito?

A procura por respostas pode ser angustiante. A cobrança excessiva por propósito pode ser desestimuladora. Talvez perto de você (ou até mesmo você) acredite que não tem um dom, que não há razão para sua existência, que não existe uma missão ou propósito.

Respira, inspira e não pira!

Eu acredito que todas as pessoas tem um dom. E cada dom se manifesta de maneira diferente, em momentos diferentes. É verdade que, infelizmente, muitas pessoas são reprimidas pela rotina, pela família, pelo mercado, e até por si mesmas, e não chegam a conhecer ou exercer seus dons. As exigências da vida raramente dão espaço para sermos e fazermos aquilo que gostaríamos.

Por isso, não se cobre tanto! Se você ainda não descobriu qual é o seu dom, tudo bem. Se você não sabe qual é a sua missão, tudo bem. Se você não faz a menor ideia de qual é o seu propósito, tudo bem. Se você não está no emprego ideal, fazendo aquilo que ama, tudo bem. Se você ainda não se encontrou, pessoal e profissionalmente, tudo bem.

Seria maravilhoso se todos pudessem fazer o que fazem de melhor. Seria incrível se todos pudessem viver de seus sonhos. Mas é pequeno o número de pessoas que tem a chance, a coragem e a condição de jogar tudo para o alto e começar do zero. São raros aqueles que conseguem deixar tudo para trás e partir em busca de seu dom, da sua missão e do seu propósito.

Também são poucos aqueles que rapidamente conseguem respostas para tantas perguntas. Às vezes demora pra gente definir qual é o curso que temos mais afinidade, a melhor faculdade. Às vezes demora pra gente encontrar uma empresa que converse com nossas crenças. Às vezes demora pra gente entender nosso dom, missão e propósito. E às vezes demora mais ainda pra colocar tudo isso em prática.

Encontre-se

Sabemos que a realidade impõe incontáveis obstáculos. Mas se você, assim como eu, é alguém motivado por propósito, é alguém movido pelo por que, então continue buscando.

Continue buscando exercer seu dom, entender sua missão e encontrar seu propósito. Continue buscando um lugar que estimule, apoie, incentive e promova tudo isso. E entenda que lugar não se refere exclusivamente a uma organização ou um escritório. Lugar pode ser dentro de uma cozinha, dentro de um estúdio de dança, dentro de uma sala de aula, na rua, num palco, dentro da sua casa,

Mas, já adianto: não se iluda pensando que será fácil. Não acredite que ser dirigido pelo seu dom e guiado pela sua missão e propósito, é um caminho suave. Não é. Não será.

Quando eu ainda estava na escola sofrendo com matemática, química e física, sonhava com o dia em que entraria na faculdade e, finalmente, me veria livre dessas matérias. Na época lembro-me da seguinte conversa com meu pai:

“Não vejo a hora de fazer faculdade. Estudar o que eu quero, o que eu gosto. Vai ser muito melhor.”

Meu pai riu e disse:

“Você ainda vai descobrir que, dentro daquilo que você gosta, existem coisas que você não vai gostar.”

Essa é uma dura, mas inegável verdade. E sinto informar que mesmo aqueles que trabalham com o que amam, os que têm “o emprego dos sonhos” às vezes se sentem cansados e desmotivados.

Em processo de construção

Precisamos aprender a reconhecer nossas habilidades e vocações. Precisamos ser capazes e corajosos para trilhar caminhos, ainda que tortuosos, se realmente quisermos fazer aquilo que cremos ter nascido para fazer.

Sempre vou apoiar aqueles que, assim como eu, buscam continuamente seu lugar no mundo. Durante anos acreditei que meu lugar era dentro de empresas ou agências. Durante anos desejei ter um crachá com meu nome e foto. Durante anos pensei que o mundo corporativo era o meu mundo.

Se eu desisti de tudo isso? Não. Ainda consigo me imaginar dentro de empresas ou agências. Ainda existe a vontadezinha de ter um crachá com meu nome e foto. Eu ainda divido meu mundo com o mundo corporativo.

Mas agora decidi tentar algo diferente. Decidi exercitar o meu dom primordial, aquele que, talvez, tenha nascido comigo e foi aprimorado ao longo dos anos: escrever. Decidi entender com mais profundidade a minha missão: fazer a diferença na vida das pessoas. E decidi, por fim, descobrir meu propósito central: fazer a diferença na vida das pessoas por intermédio das palavras.

Não estou dizendo que deixei de lado as Relações Públicas ou a Comunicação. Na verdade, nunca coloquei tanto em prática aquilo que aprendi na Faculdade e nos cursos de especialização. O que resolvi fazer é muito simples: estou construindo uma janela.

E confesso que gosto desse novo lugar. Gosto dessa nova Bianca. Gosto do novo exercício do meu dom, da minha missão e do meu propósito. Gosto do que estou construindo, dia após dia.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

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