10 verdades (que ninguém te conta) sobre ser escritor

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Imagem de Free-Photos por Pixabay

Cresci lendo e escrevendo livros.

Ao longo de minha infância e adolescência, ler livros era um hobby e escrever livros era minha paixão. Levando em consideração a pouca idade, eu não escrevia para ganhar dinheiro. Nunca escrevi com o objetivo de ficar famosa. O que eu queria era fazer a diferença na vida das pessoas por intermédio da literatura.

Na época eu me sentava em frente ao computador e escrevia o que sentia vontade. Um capítulo, dois capítulos, alguns parágrafos. Escrevia quando me sentia inspirada e motivada. Quando cheguei a idade adulta, porém, a paixão por escrever amadureceu. E com esse amadurecimento vieram a tona alguns detalhes que as pessoas normalmente não contam. Detalhes sobre o que é ser escritor e o que é preciso para ser um bom escritor.

Eis aqui algumas particularidades sobre ser escritor:

1) É um trabalho solitário

Essa solidão é um misto de prazer e tortura. É maravilhoso quando algo depende só de você. Imagine não precisar aguardar os processos, burocracias, não estar sujeito à agenda de outra pessoa? Simplesmente fantástico.

Por outro lado, é um tanto desgastante. Escrever um livro depende única e exclusivamente de você. E eu, às vezes, gostaria de ter ajuda. Claro que não há proibições quanto a compartilhar ideias ou pedir opinião, mas a palavra final (literalmente) é sua. E mesmo que amigos e familiares auxiliem em algo, caberá a você colocar tudo no papel.

De vez em quando sinto falta de alguém ao meu lado para conversar. Alguém para dividir o peso do trabalho. Mas, ser escritor é uma vocação construída na solidão. Você é o responsável por tudo.

2) Saber escrever – ou gostar de escrever – não é o suficiente

É o começo. Sim, sem dúvida é um ótimo começo. Mas, acredite, não é o bastante.

Pense comigo: toda joia precisa ser lapidada. O mesmo acontece com a escrita. Ou seja, você precisa estudar. Precisa se aperfeiçoar. No meu caso, a leitura é a principal professora. Leio, em sua maioria, livros de ficção, pois é este o gênero que escrevo. Porém, também leio livros voltados ao ensinamento da escrita. Livros de autores que compartilham suas experiências e orientam sobre o que podemos fazer para nos tornarmos escritores melhores.

3) Você precisa de disciplina, rotina e frequência

Se eu gosto dessas palavras? Diria que é uma relação de amor e ódio. Isso porque conseguir colocá-las em prática é muito mais difícil do que parece.

Escritores precisam ter disciplina. É preciso criar uma rotina. O que for melhor pra você, que melhor se molde aos seus horários e compromissos diários. E frequência está diretamente ligada à rotina e disciplina. É preciso estabelecer uma frequência de produção. Se você tem um blog ou usa qualquer outra plataforma para compartilhar suas criações, também é necessário determinar uma frequência de publicação.

4) Não adianta ser orgulhoso

Houve momentos em que me vi escrevendo algo que não estava bom. Não de verdade. Não tanto quanto eu gostaria. Notei que já havia digitado um grande número de palavras e a preguiça veio. Eu a deixei de lado. Apaguei tudo e recomecei.

Um dia entreguei um texto para um cliente. Esse texto voltou para mim cinco vezes (para ser revisado e refazer alguns trechos). Se eu achava que a primeira versão estava boa? Sim, eu achava. Não entrego nada que não considere bom. Mas o cliente queria fazer mudanças, e as mudanças propostas faziam sentido. Então reestruturei e reescrevi o texto cinco vezes.

Por mais que sejamos (e sei que somos) apegados às nossas criações, por mais que façamos o possível para escolher minuciosamente cada palavra, não podemos crer que somos os donos da razão. Precisamos estar abertos a mudanças, adaptações e mais dispostos ainda a começar do zero se for preciso.

Claro que quando se trata da autoria de um livro, essa relação é um pouco diferente. Ainda assim meu conselho é que ouçamos com atenção o que o editor, a revisora, amigos e família tem a dizer. Se a mudança sugerida for melhorar a obra, agradeça e aceite. Revise. Reestruture. Refaça. Reescreva. Preguiça e orgulho não podem fazer parte do nosso vocabulário.

5) Se você não souber filtrar as críticas, elas vão te engolir vivo

Eu quase parei de escrever depois de uma crítica.

Chegou pelo correio o meu livro com os comentários da revisora. Enquanto lia, quase não consegui conter o choro. Ela só falou me chamar de ridícula. Todos os trechos fantasiosos, em que os personagens demonstravam força sobre-humana, habilidades fantásticas, ela criticava seriamente.

Fiquei arrasada. Meus livros eram de ficção, por que a revisora condenava minha imaginação? Depois de um tempo descobri que aquela revisora era responsável por revisar livros de Direito. Ou seja, não era a pessoa certa para revisar obras de fantasia. Ela até poderia corrigir erros de ortografia, gramática, mas não estava apta para julgar o conteúdo do livro.

Cuidado com as críticas. Entenda quais te ajudam a crescer e quais te diminuem. E tenha cuidado com as pessoas que você escolhe para ler e opinar a respeito de suas produções.

6) A comparação pode ser sua ruína

A vida inteira disseram que eu escrevia bem. Que eu escrevia muito bem. Que eu tinha o dom da escrita. O que não disseram é que assim como eu existem centenas de pessoas que escrevem bem, que escrevem muito bem e que tem o dom da escrita.

E tudo bem. Não estamos numa competição sobre quem escrever melhor. O problema da comparação é que a gente perde muito tempo pensando no quanto o outro é bom e como somos inferiores, ao invés de admirar aquela pessoa e procurar aprimorar o nosso talento.

Por isso, não se compare. Cada escritor tem seu estilo, seu público, seus métodos. Mesmo que eu e você possamos escrever sobre um mesmo gênero, escrevemos de maneiras diferentes. Se nem a nossa caligrafia é igual, muito menos o sentimento que imprimimos na escrita.

Ah, e detalhe: não tente imitar ninguém. Seja você. É isso que te faz autêntico e único.

7)  Os números são nossos amigos (?)

As redes sociais são excelentes plataformas para os escritores. Linkedin, Instagram e Facebook podem ajudar (e muito!) na divulgação do conteúdo, compartilhamento de materiais e, é claro, tornar o seu nome conhecido.

Visualizações, curtidas, compartilhamentos: os números que essas métricas trazem podem gerar ansiedade e desconforto. Vivemos em um mundo onde quanto mais curtidas um post tem, mais visualizações um story tem e mais compartilhamentos um vídeo tem, melhor ele é. Pelo menos é o que as pessoas imaginam.

Às vezes nos esforçamos para produzir um conteúdo de qualidade e o número de interações é muito abaixo do que a gente esperava ou gostaria. Isso pode acontecer, mas não é motivo para desespero. É preciso entender o que aqueles números significam para você e para o seu conteúdo e depois verificar o motivo da diminuição do alcance.

Meu conselho: não se torne refém dos números. É sensacional ver dezenas de pessoas curtindo, comentando e compartilhando, mas o alcance das palavras vai muito além dos números. O impacto de um bom texto é imensurável.

8) Você não precisa complicar

As pessoas têm a impressão (ou a convicção) de que escrever bem é escrever difícil. É ter um vocabulário extenso e rebuscado.

Mentira.

Bons escritores sabem usar as palavras. E saber usar as palavras não tem nada a ver com a complexidade do vocabulário. Você não quer que, no meio da leitura, o leitor seja obrigado a procurar no dicionário o significado de uma palavra, né? Portanto, sinta-se a vontade para ser simples.

E digo mais: se você não se sente confortável em fazer descrições extensas a respeito do que o personagem está sentindo ou vendo, sobre o ambiente que ele está, sobre seu estado de espírito, não faça. Não encha linguiça. Eu e você sabemos que o leitor vai pular tudo o que não foi considerado primordial para a história.

9) Vão tentar te fazer desistir

Talvez sejam seus pais, amigas, vizinhos, namorada, marido, tias, avós, primos. Ou até mesmo desconhecidos. Sempre haverá alguém que desacredita no poder das palavras e na sua capacidade.

Esteja preparado para ser duramente criticado. Esteja preparado para enfrentar resistência e desaprovação. E, nesse caso, a decisão de dar ouvidos a eles ou continuar seguindo o seu propósito, é inteiramente sua.  

10) Ninguém pode te ensinar a ser escritor

Como eu disse, você pode (e deve) estudar. Ler livros do mesmo gênero que você escreve (e de diferentes gêneros também), ler livros que ajudem a entender como funciona o processo criativo, fazer cursos para melhor a escrita, dentre outros.

Mas ninguém poderá te ensinar esse ofício. Se você escolher ser escritor, precisa estar ciente de que passará o resto da vida se lapidando sozinho. Sim, haverá dificuldades pelo caminho. Todavia, se você souber transpô-las, terá feito a caminhada mais extraordinária da existência humana.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

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