Falta de engajamento dos colaboradores é atestado de ruína das empresas

escritório-tensão-desengajamento
Imagem de www_slon_pics por Pixabay

“Ninguém fica num local apenas por causa do salário, mas a sua permanência é também pela capacidade de enxergar a finalidade positiva do que faz, do reconhecimento que obtém, do bem estar que sente quando seu trabalho é valorizado e se percebe ali a possibilidade de futuro conjunto

Mário Sérgio Cortella

Um problema de todos

Muda o CNPJ, mas alguns problemas nunca mudam. Falta de engajamento é um desses problemas; um problema comum a todas as empresas. O desengajamento está ligada ao novo mundo. O mundo mudou. Mudou porque as pessoas mudaram. E mudou muito antes da chegada desse tal “novo normal”.

Se as pessoas são responsáveis pelas grandes alterações no mundo, por que seria diferente com as empresas? Bem, não é diferente. Empresas são feitas de pessoas, para pessoas e por pessoas!

O novo mundo é baseado em: propósito, significação e coerência. 

O propósito 

Todos precisamos trabalhar. Porém, ao contrário do passado, onde o trabalho era, exclusivamente, fonte de renda, atualmente as pessoas querem fazer parte de uma organização que esteja alinhada com seus propósitos e ideais. Hoje coloca-se na balança se determinada empresa agrega valor pessoal e profissional e se possibilita equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. 

O significado

Além disso, quando iniciamos nossas atividades desejamos mais do que a recompensa salarial no final do mês. As pessoas querem enxergar que o papel que desempenham têm significado e faz real diferença nos resultados da empresa. Eles querem ser reconhecidos!

A coerência

E, por último, desejamos mais do que missões vazias estampadas nas paredes. A sociedade acompanhou de perto as crises de imagem e de credibilidade que nosso país enfrentou (e continua enfrentando). Essa sociedade se tornou mais atenta e exigente. Não basta parecer, é preciso ser.  

Ausência de propósito, de significação e de coerência dificulta (e muitas vezes até impede) o engajamento dos colaboradores. A falta de engajamento impacta diretamente no resultado das empresas, ocasionando:

  1.  Baixa produtividade
  2. Aumento no índice de turn over
  3. Clima organizacional tóxico
  4. Menor potencial de inovação
  5. Custos elevados

Um único colaborador desengajado custa mais caro do que você imagina. Custa caro financeiramente: 

  • Seu baixo desempenho culmina na redução de lucros da empresa.

E custa caro em reputação, cujo valor é inestimável.

  • Todos os colabores são mensageiros das empresas. Se um colaborador feliz impacta dez pessoas, um colaborador desengajado e infeliz, certamente impactará o dobro.

Não engajar um colaborador significa: 

  • Perder a oportunidade de, com ele, fazer a empresa a crescer 
  • Desperdiçar seu talento

O maior ativo das organizações são as pessoas que a constroem diariamente. Logo, as pessoas devem ser o centro de todas as estratégias. Enquanto insistirmos em não ver e ouvir as pessoas, elas continuarão desengajadas. E, dia após dia, estaremos assinando atestados de ruína das empresas. 

Engajar ou motivar? Eis a questão!

“Motivação é o impulso para começar algo. Engajamento é a força para terminar de forma bem feita o que foi iniciado”.

Daniel Costa

A motivação é uma força, uma energia que nos impulsiona, é um motivo para a ação. Ela é intrínseca, isto é, está dentro de nós, nasce de nossas necessidades interiores. 

Todos temos motivações. Nossas motivações, porém, não podem ser comparadas. As pessoas têm valores, crenças, experiências, culturas e interesses diferentes. A história de vida de cada um é que condiciona suas motivações.

O engajamento, por outro lado, diz respeito à coletividade. É o que leva a alcançar um objetivo comum à organização. Quando estão engajadas, as pessoas alinham seus interesses com os da empresa e auxiliam na busca de uma solução. Ou seja, cada colaborador entende que faz parte de algo maior, um sistema de engrenagens que somente funciona se todos estiverem focados e dispostos a atingir a mesma meta.

Nós precisamos escolher engajamento ou motivação? Que tal escolher os dois? Motivar e Engajar? 
Escolha se motivar e ajudar os outros e encontrarem suas motivações. Escolha engajar equipes e mudar o ambiente de trabalho.

O elefante na sala 

“Não importa o que você comercialize ou o serviço que ofereça, o negócio do seu negócio são as pessoas. Cuide delas e elas cuidarão do seu negócio”

Hugo Bethlem

Antes de começarmos a pensar em como engajar nossos colaboradores devemos entender o cenário. Você sabia que o Brasil é o quinto país do planeta com maior número de casos de depressão? Assustador, não?

Aqui estão outras informações impactantes sobre a nossa relação com o trabalho:

  • Cerca de 90% das pessoas estão infelizes em seus trabalhos
  • Os transtornos mentais e emocionais são a segunda causa de afastamento do serviço
  • Nos últimos dez anos, a concessão de auxílio-doença acidentário devido a esses males aumentou em quase em 20 vezes
  • Em todo o mundo, os gastos relacionados a transtornos emocionais e psicológicos podem chegar a 6 trilhões de dólares até 2030
  • Em nosso país os transtornos mentais são a terceira causa de longos afastamentos do trabalho por doença. Em 2011, eles foram responsáveis pelo pagamento de mais de 211 milhões de reais a novos beneficiários
  • Os supervisores gastam em média mais de quatro horas por semana lidando com as faltas não programadas, o que inclui fazer recolocações, ajustar o fluxo de tarefas e dar treinamento a quem irá assumir a função por aquele dia
  • Quando cobrem alguém, os superiores ficam 15% menos produtivos e os colegas, 30%. Quase metade das ausências reflete-se em horas extras dos que ficam
  • 96% das pessoas que têm burnout se sentem incapacitadas para trabalhar. Mesmo assim, 92% continuam indo para a empresa, com medo de serem demitidas ou de se afastarem e não conseguirem voltar
  • A Organização Mundial da Saúde alerta que uma em cada quatro pessoas sofrerá com um transtorno da mente ao longo da vida

Engajar os colaboradores mediante a esse quadro é desafiador. Engajar colaboradores em meio a uma pandemia é ainda mais complexo. Mas é, sem dúvida, um desafio que vale a pena assumir tendo em mente não apenas o lucro (empresas com colaboradores engajados enriquecem mais), porém com um olhar humano que deseja transformar o contexto de infelicidade no trabalho.

Humanize-se

“Boas relações humanas geram felicidade e resultados”

Susanne Andrade

Não é porque a maioria das empresas, sejam elas grandes ou pequenas, estão despreocupadas com o bem estar dos funcionários que você deve seguir seus passos. Pelo contrário! Investir em saúde emocional diante do cenário de crise é ganhar vantagem competitiva e se destacar no mercado. 

Uma das maneiras para minimizar os efeitos do estresse que enfrentamos diariamente e conquistar o engajamento é optar pela colaboração ao invés da competição. Susanne Andrade afirma que a alta competitividade e a pressão por resultados têm contaminado o ambiente de trabalho e impactado a saúde dos profissionais.

Mas há caminhos para se contrapor a esse cenário e oferecer aos colaboradores projetos mais humanos sem abrir mão da produtividade. 

Ela afirma que:

“as empresas que mais têm crescido hoje são as empresas que são mais colaborativas. São empresas que são movidas a propósito e entendem qual é o sentido daquilo que ela está fazendo. E aí sim o clima é muito mais leve. E os processos acabam fluindo e os resultados vêm”. 

A consultora defende a ideia de que é possível alcançar melhores resultados em menor tempo tendo como objetivo a busca da simplicidade. De acordo com Susanne:

“a simplicidade está justamente em parar para valorizar mais as pessoas e entender que as pessoas é que vão gerar mais resultados”.

De acordo com pesquisa da Gallup, citada por Susanne no programa Mundo Corporativo da Rádio CBN, mais de 50% dos trabalhadores saem das empresas por problemas de relacionamento com seus líderes. Logo, uma das ferramentas que precisa urgentemente ser desenvolvida e praticada pela liderança e seus colaboradores é a comunicação. Segundo a consultora:

“a comunicação, eu diria, é a principal habilidade não técnica. Hoje, o profissional saber se comunicar de maneira mais assertiva, com mais simplicidade, respeitando o outro que está no outro crachá, é importante”. 

A comunicação é essencial na busca pelo engajamento dos colaboradores. Não a comunicação com a qual fomos acostumados, de processos e retrabalhos, mas aquela baseada no respeito e na escuta.

Para engajar colabores precisamos enxergá-los como os indivíduos que são. A partir do momento em que os reconhecemos como seres humanos começaremos a praticar, efetivamente, a comunicação humanizada. 

Na prática

Todos estamos buscando nos adaptar a este novo cenário. Um cenário que, diferente do momento anterior, não possibilita que líderes e liderados estejam num mesmo ambiente. Contudo, o diálogo e o olho no olho (mesmo a distância) ainda são possíveis (e primordiais).

Aqui vão algumas dicas para manter a equipe e os colaboradores engajados:

  1. Seja empático
    Nós até podemos estar vivenciando situações semelhantes, momentos parecidos. Mas a realidade de cada um é absolutamente individual. Não estamos no mesmo barco! Por isso, procure entender e se colocar no lugar do seu colaborador.
  2. Seja transparente
    Nunca houve, e agora há menos ainda, espaço para mentiras. Não podemos dar voz à fofocas ou fomentar conflitos. A empresa e os líderes têm o dever de dar as notícias, sejam elas boas ou ruins. As informações precisam levar verdade e segurança aos colaboradores.
  3. Preste atenção no seu colaborador
    Não se trata da atenção de cobrança. Se trata da atenção comportamental. Fique atento se o colaborador está entregando, se ele está produzindo ou se, por algum motivo, está cometendo erros repetidamente. Entenda o motivo e se proponha a ajudá-lo.
  4. Dê feedbacks
    Estamos todos improvisando, essa é a verdade. Ninguém lidou com nada disso (ou com tudo isso, simultaneamente) antes. Portanto, oriente os colaboradores para que eles tenham luz a respeito de como estão se saindo, aspectos a melhorar, dentre outros. E sempre incentive!
  5. Sobrecarga não é legal
    Eu sei que existem metas. Da mesma forma que sei o quão mal faz a sobrecarga a qualquer ser humano. Permita-se bater um papo com os colaboradores, com a equipe e os escute! Verifique se eles se sentem confortáveis com a quantidade de atividades.

    É claro que existem outros caminhos, outras possibilidades para engajar colaboradores de acordo com cada cultura organizacional. O importante é defini-las, é descobri-las, desenvolvê-las e trabalhá-las. Não podemos desistir. Não podemos consentir com a infelicidade no trabalho; seja ele remoto ou presencial, seja dentro da empresa, ou dentro de casa.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: