Coisas que aprendi com meu pai

pai e filho
Imagem de Free-Photos por Pixabay

Meu pai não é um homem de muitas palavras. Apesar disso, cresci ouvindo-o repetir algumas pensamentos que marcaram minha infância, adolescência e vida adulta. Frases que, muitas vezes, me causavam certo desconforto e que eu não necessariamente concordava, mas que, de um jeito ou de outro, me ensinaram.

“Nem tudo é como a gente quer”

Clássica. Simples. Objetiva. E quanto mais a gente cresce, mais percebe que raramente as coisas saem conforme queremos ou planejamos.

Chorar não resolve”

Sempre fui muito sensível. Costumava me abalar fácil e chorar pelos cantos. Sou obrigada a concordar com meu pai: chorar não resolve. Mas, diria que alivia.

“Cabeça não foi feita para carregar cabelo”

Em outras palavras, cabeça foi feita para pensar. Portanto, use-a. Coloque o seu cérebro para funcionar.

“Se vira, você não é quadrado”

Adapte-se. Mude. Refaça. Tente outra vez.

“Precisamos evoluir”

Deixar o passado no seu devido lugar: no passado. É preciso crescer. É preciso melhorar.

“Não meça as pessoas com a sua régua”

Não calcule o outro de acordo com a sua medida. Não mensure sua dor, suas conquistas, seus valores, seus sentimentos com base no que você acredita ser o ideal.

“O tempo é a gente que faz”

Se você não tem tempo, crie tempo. Arranje tempo. Faça o seu tempo.

“Eu não dou o peixe, eu ensino a pescar”

Meu pai mostrou a mim e ao meu irmão o caminho. Deu-nos as melhores ferramentas para construir um futuro, uma carreira, uma família ou o que quiséssemos. Mas caberia a nós o esforço, a dedicação, o empenho, a paciência, a maturidade e a sabedoria para fisgar o peixe.

Mas talvez a maior lição que meu pai me deu não tenha sido baseada nas suas palavras. Acredito que os grandes ensinamentos que aprendi com ele foram fundamentados em seu silêncio; naquilo que ele não diz.

Ele não toca no assunto, mas sei que passou por poucas e boas. Sei que o que não faltou em sua vida foram dificuldades. Porém raramente o vemos visitar seu passado. Nunca o vemos reclamando. Jamais o vi lamentar pelo que quer que seja.

Ele tem orgulho do que construiu. Meu pai é o tipo de pessoa que até pode contar a história de como ergueu seus castelos, mas não faz questão de relatar as pedras que encontrou pelo caminho.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: