Meu novo eu

Porta-mudança
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

A pessoa que sou hoje é fruto daquilo que plantei e do que não plantei.

A pessoa que sou hoje é consequência dos meus atos pensados e impensados.

A pessoa que sou hoje é efeito contrário e reverso àquela que fui ontem.

A pessoa que sou hoje é resultado da soma de quem fui e de quem quero ser.

A pessoa que sou hoje é produto das escolhas que fiz.

Para ser quem sou hoje, morri e nasci algumas dezenas de vezes. Para ser quem sou hoje, sucumbi e renasci muitas vezes. Para ser quem hoje sou, precisei aniquilar partes de mim. Para ser quem hoje sou, tive de exterminar um pouco do meu eu.

Não acredito que eu seja obra pronta. Não creio ser construção acabada. Eu me faço e me refaço, me destruo e construo, me desmonto e me encaixo.

Fui despedaças muitas vezes e me lamentava por me ver em ruínas. Depois passei a compreender que cada vez me despedaçavam, eu tinha a oportunidade de me refazer de um jeito diferente. E hoje o poder de me desfazer é meu e de mais ninguém.

Ao longo do caminho mudei minhas peças e prioridades de lugar. Ao longo do caminho mudei de ideia, mudei de sentimento, mudei de perspectiva. Ao longo do caminho eu mudei. A caminhada me mudou.

Mudei muito. Mudei tanto. Só não mudei de casa: eu continuo sendo meu lar. E meu lar também muda. Porque às vezes sou torre, às vezes sou castelo, às vezes sou casa, às vezes sou cabana. Mas continuo sendo meu melhor abrigo e o meu eu é meu melhor amigo.

Gosto ainda mais de mim agora. Me admiro mais, me respeito mais, me escuto mais. Gosto dessa minha nova versão. Gosto da ideia de continuar mudando, evoluindo, crescendo, expandindo. Porque eu sou uma galáxia não mapeada com novas estrelas que surgem a cada dia. Eu sou oceano desconhecido e misterioso, profundo e pacífico.

Gosto da ideia de que não posso e não quero me definir. Porque apesar de já ter aberto as asas e voado para longe, para o alto, a minha metamorfose não acabou. Continuo sofrendo mutação, mas não sofro. Aceito e abraço minhas mudanças. Acato com carinho meu eu inacabado.

Gosto da sensação de olhar para trás e ver tudo o que venci, superei e melhorei. Gosto de olhar para mim e amar a mulher que me tornei. Gosto de olhar para o futuro e pensar que, apesar de eu não saber o que me espera, existe uma Bianca lá na frente que está orgulhosa de quem ela é e de quem eu sou agora.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

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