Como conviver com a dúvida (?)

Dúvida-interrogação
Imagem de Anemone123 por Pixabay

Sou uma pessoa movida por certezas. Sou guiada pelo certo, normalmente dispenso o duvidoso. Me sinto mais tranquila quando sei exatamente o que está acontecendo. Mais confortável se sei o que vai acontecer no dia seguinte, na semana seguinte ou no mês seguinte.

Eu planejo. Eu penso. Eu repenso. Eu refaço. Eu calculo. Eu meço. Eu interpreto. Eu verifico. Eu raciocino. Eu racionalizo. Eu mentalizo. Eu esboço. Eu desenho. Eu testo. Eu faço. Eu aconteço.

Sim, eu gosto quando as coisas saem exatamente conforme o planejado. Sim, eu gosto de ter a situação sob o meu controle. Gosto de saber que estou fazendo a coisa certa, que estou no caminho certo, que tomei as decisões certas, que fiz as escolhas certas.

E… bem, não é assim que a vida funciona.

Não tem ninguém pra te dizer se você escolheu o curso certo, a faculdade certa, se está na empresa certa, no cargo certo. Não tem ninguém ali no meio do caminho, na curva da estrada, pra dizer se aquela direção é a correta.

Na verdade não existe ninguém pra definir o que é certo e o que não é. Pelo menos não quando se trata de questões pessoais.

A certeza anda sumida. Escassa. Desaparecida. E se ela está em falta, dúvida temos de sobra. Logo a dúvida, tantas vezes cruel e torturadora.

Eu não gosto da dúvida. Não me dou bem com ela. Porém, apesar de nossas diferenças (e de eu procurar exterminá-la com certa frequência) a danada continua me perseguindo – e atormentando.

Todos os dias é uma diferente: será que estou fazendo a coisa certa? Será que devo investir nisso? Será que devo desistir? Será que sou realmente boa nisso?

E algumas vezes, para algumas perguntas, a única resposta que tenho é: não sei.

Não gosto de não saber. E me culpo por não saber. Eu deveria saber, não deveria?

Descobri que não. Tá tudo bem se eu não tenho as respostas agora, porque a verdade é que nunca terei todas as respostas. Tudo bem se não sei responder de imediato. Tudo bem porque as respostas que tive ontem, não são as mesmas de hoje e provavelmente não serão as mesmas de amanhã.

A gente muda tanto o tempo todo. O mundo muda tanto o tempo todo. Como podemos exigir, de nós ou dos outros, uma única e definitiva resposta? A gente tem certeza sobre determinadas coisas, mas não todas. E as nossas convicções do agora, provavelmente não serão as nossas convicções no porvir.

A gente descobre o que é certo com o tempo. A gente descobre se aquele certo é certo pra gente, na prática. E em meio a incontáveis dúvidas, a gente encontra algumas certezas que nos servem de luz e bússola.

Dizem que a morte é a única certeza da vida. Não discordo, porém isso não me basta. Não há como bastar. Para mim, existe uma certeza que antecede a morte, que é, justamente, a certeza da vida. Certeza de que sobre o amanhã eu nada sei, mas o que sei sobre o hoje é suficiente: estou viva. Você está vivo. E se estamos vivos, é porque ainda há muito a fazer por aqui.

A gente precisa encontrar equilíbrio entre certeza e incerteza. Porque o que nos conduz pelo caminho não é, necessariamente, aquilo já é certo, o que já é fato, mas sim as perguntas da qual ainda não se têm resposta.

Quando a dúvida vier para tirar a nossa paz, quando ela parecer superior às nossas crenças, lembremos que algumas das árvores de certeza com as raízes mais profundas, nasceram graças a uma pequenina semente de dúvida plantada.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

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