Obcecados por números

Mídias Sociais
Imagem de Pixelkult por Pixabay

Não tenho muitos seguidores no Instagram. Não tenho tantas conexões no Linkedin. Não tenho um grande número de inscritos no meu blog.

E, apesar de essas plataformas serem bem diferentes, existia algo em comum entre elas e que me deixava ansiosa e desconfortável: os números.

A impressão que tenho é que quando a gente faz parte dessas comunidades, os números passam a fazer parte da nossa rotina. Você quer mais seguidores, mais comentários, mais curtidas, mais compartilhamentos, mais visualizações.

Eu quase caí na armadilha dos números. Sabe por quê? Porque eu comecei a ficar triste quando meus posts no Linkedin não tinham um número x de curtidas/comentários/compartilhamentos. Porque eu comecei a me sentir mal vendo que poucas pessoas me seguiam no Instagram. Porque eu comecei a duvidar do meu talento ao notar que poucas pessoas liam os textos do meu blog.

Quando o foco se tornou o número, eu perdi o foco. Parecia razoável escrever “qualquer coisa” ou escrever o que “estava em alta” para conseguir o artigo mais valioso do momento: atenção. Parecia aceitável escrever pensando no número de curtidas.

Felizmente percebi a tempo que por mais que os números sejam bons indicadores (quem trabalha com mídias sociais sabe bem disso), eles não podem nos fazer reféns.

Porque não escrevo com números, escrevo com tinta de coração e papel de sentimento. Porque escrevo para um público, mas não para uma plateia. Porque escrevo para tocar as pessoas, não receber aplausos. Porque escrevo para dividir com o mundo o que não me cabe no peito e transborda pela ponta dos dedos.

Percebi que por mais satisfeita que os números me deixem, eles não traduzem minha maior alegria. Pois a minha felicidade é fazer a diferença na vida das pessoas. Então se uma única pessoa ler meus textos e minhas palavras transformarem, de alguma maneira, seu ser, então minha missão foi cumprida.

Cada pessoa é um vasto universo. E tocá-las é um privilégio sem tamanho.

A gente precisa se preocupar um pouco menos com a quantidade de gente que segue, compartilha, comenta, interage. E mais com a qualidade do conteúdo e com as almas com que dialogamos.

É claro que quanto mais gente soma aos números, mais gente é alcançada. Mas não pense que uma pessoa, duas pessoas, três ou cinco pessoas é pouco. Essas pessoas são mundos, são vidas. E uma vida nunca é pouco; uma vida nunca é pequena.

Pequena é a crença de que números nos definem.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

Um comentário em “Obcecados por números

  1. Prezada Bianca: só agora venho a conhecer seu trabalho. Digo que gostei muito deste texto e isto pode ser refletido na minha leitura curiosa e, ao mesmo tempo, um pouco apreensiva do que li. Por que? – Basicamente porque sou obcecado com números… faz parte de mim. Tenho 50 anos e desde minha adolescência ficava a computar estatísticas de futebol. Sabe, esta obsessão tem que ser melhor gerenciada outrossim minha essência se desvanece. Simplesmente porque a vida não é o destino; sim a jornada…

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