A facilidade de julgar o trabalho do outro como “fácil”

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Imagem de Lukas Bieri por Pixabay

Não sei se isso acontece com frequência na profissão de vocês, mas na minha acontece muito.

Sou formada em Relações Públicas e, atualmente, trabalho como Produtora de Conteúdo. No caso de ambas as áreas, é interessante (apavorante e irritante) ver como as pessoas creem que qualquer um pode fazer o que eu faço.

Eles acreditam que qualquer um pode fazer Comunicação. Qualquer um pode cuidar do público, das redes socais, dos eventos. Qualquer um pode escrever um texto para blog, Linkedin, Facebook, Instagram ou site. Qualquer um pode criar um comunicado, uma newsletter, um e-book, um roteiro.

E eu não estou aqui para dizer que sei de tudo, porque não sei. Aprendi muito na Faculdade, mas aprendi mais ainda na prática. Aprendi muita coisa sozinha, por conta, por curiosidade, por vontade.

Estou aqui pra dizer que a gente não pode fazer isso: julgar o trabalho alheio e considerá-lo fácil. A gente não pode observar alguém e achar que o que ele ou ela faz é pouco. A gente não pode achar que “qualquer um consegue fazer”.

As pessoas e principalmente as empresas, tem que se conscientizar que existem profissionais especializados e extremamente competentes em suas áreas e atividades.

Entenda que quando você contrata uma pessoa que não tem domínio sobre aquele assunto, só porque olha de fora e, aos seus olhos, é algo muito simples, o barato sai caro. Sabe por quê? Porque aquela pessoa até pode entregar algum resultado, mas jamais será o resultado que um especialista, alguém que conhece do assunto, poderia entregar.

E isso não acontece porque a gente é melhor, no sentido pessoal. Isso acontece porque algumas pessoas têm autoridade pra falar, pra fazer. Algumas pessoas se prepararam durante anos pra fazer o que você considera simplório. Essas pessoas conhecem cada etapa processo, entendem de estratégia, compreendem o todo.

Não estou dizendo que não devemos contratar pessoas sem experiência. Estou dizendo que a gente precisa parar de acreditar que sabe tudo, que consegue fazer tudo.

Sei que nem sempre dá pra investir em pessoas que sejam altamente capacitadas para executar determinadas funções, mas não se engane. E não seja injusto. Não deprecie o trabalho dos outros. Não diminua, não menospreze, não inferiorize e nem desmereça o que o outro faz. Porque todas as profissões, todas as áreas, todos os serviços, exigem esforço, empenho e capacitação. Cada um a seu modo.

Não vem com essa de: se quer algo bem feito faça você mesmo.

Faça se você tiver capacidade. Faça se estiver ao seu alcance. Faça se você for capaz de entregar o melhor. Se não for, tudo bem. Porque existe alguém que sabe, alguém que pode fazer muitíssimo bem feito.

E não há nada de errado em admitir que não sabe. Nada de errado em perceber que aquela atividade foge ao seu escopo, está além da sua compreensão.

A gente precisa entender de uma vez por todas que um profissional completo não é aquele que sabe fazer absolutamente tudo. Até mesmo porque ninguém sabe absolutamente tudo. Se assim fossem, empresas seriam formadas por poucas pessoas e não por dezenas e centenas de equipes.

Profissional completo é aquele que, dentro da carreira que decidiu seguir, tem as competências gerais e específicas para ajudar a solucionar os dilemas daquela organização e melhorar a nossa sociedade. Não é o sabe tudo. Não é o faz tudo.

Bom é que saibamos um pouquinho de cada coisa para não ficarmos à margem das rápidas mudanças que acontecem no mundo, mas precisamos valorizar o trabalho de todos. Não pensar que estamos capacitados para fazer tudo e nem exigir que eles saibam ou façam tudo.

Porque não importa se você tem duas faculdades, quatro pós-graduações, mestrado e doutorado, se já morou fora do país, se fala três línguas, se trabalhou em multinacionais, se está há mais de dez anos nesse ramo. Não importa se você é o dono da empresa ou a pessoa responsável pela limpeza. Independente disso, ou de qualquer outra coisa, duas verdades são absolutas: todos merecem respeito. E ninguém faz nada sozinho; cada um faz a sua parte.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

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