O dia em que eu tirei 0 em Redação – O dia em que eu aprendi a aprender

Lápis-redação
Imagem de congerdesign por Pixabay

Não, você não leu errado.

Eu, que escrevo livros desde os dez anos, eu, que fui tricampeão no Desafio de Redação do Grande ABC, eu que vivo de leitura e escrita, já zerei uma redação.

Pode parecer vergonhoso compartilhar esse tipo de coisa, mas a verdade é que esse momento foi crucial na minha vida. Foi aquele zero que mudou tudo.

Era início de 2013. Eu estava no último ano do Ensino Médio e a escola decidiu que faria alguns simulados para nos auxiliar no Vestibular.

Após responder todas as perguntas chegou o momento que eu mais esperava: a redação. Fiz quase de olhos fechados. Fiz sorrindo, me divertindo, acreditando que alcançaria uma boa nota. Fiz na certeza de que sabia o que estava fazendo.

As notas saíram uma semana depois. Divididas por matéria, elas foram colocadas no mural da sala e todos os alunos poderiam conferir não só as suas próprias notas, mas as notas de seus colegas também.

Havia uma rodinha em frente ao mural quando eu cheguei. Um burburinho, pontos de interrogação quase palpáveis no ar. Só fui entender quando me aproximei e vi, nada mais, nada menos do que um belo e redondo zero na minha nota de redação.

O primeiro zero da vida tinha sido em redação? Aquilo era sério? Eu até poderia imaginar essa nota em matemática, química e física (acreditem, já cheguei bem perto de zerar uma prova dessas matérias). Mas… redação? Era revoltante!

Fiquei com vergonha. Fiquei irritada. E fiquei, principalmente, confusa. Mas naquele instante não eu não podia ser orgulhosa. Eu precisava de respostas. Eu queria entender.

Fui até a professora responsável pela correção das redações e pedi que ela me explicasse o que havia acontecido. E ela, sorrindo, me disse:

o seu texto está ótimo, mas, não é uma dissertação.

Apesar de contrariada, descobri que ela estava certa. Aquele texto poderia ser qualquer coisa, mas não era, de jeito nenhum, uma dissertação. Ora, ora, ora… eu, a menina da redação, não sabia fazer uma dissertação. Essa era uma verdade dolorosa. Era uma verdade difícil de aceitar. E eu não aceitei.

A partir daquele dia comecei a estudar. Me dediquei a entender o que era uma dissertação. Aprendi as técnicas. Desenvolvi meu próprio método. Passei a aplicar. Fazia redações todo o final de semana com temas dos vestibulares dos anos anteriores. Em algumas finais de semana eu fazia até duas.

Não me recordo das notas que tirei nos demais simulados da escola. Lembro que ganhei mais um Desafio de Redação alguns meses depois, me tornando tricampeã. Lembro que tirei 980 na Redação do ENEM daquele ano. Lembro que passei em primeiro lugar na Faculdade.

Foi graças a um zero que outras portas se abriram; porque com aquele zero eu soube que não sabia de tudo. Mas também descobri que, apesar de não saber tudo, eu poderia aprender qualquer coisa, desde que quisesse, desde que me empenhasse.

Por isso não me envergonho em compartilhar esse momento da minha trajetória. A gente erra mesmo. A gente falha mesmo naquilo que acredita ser bom. E o fato de eu já ter tirado zero na redação não fez de mim menos; pelo contrário, aquela nota me serviu de impulso para melhorar.

A gente tá muito mal acostumado a exaltar e compartilhar somente as vitórias e conquistas. Mas a verdade é que são as nossas derrotas que enriquecem a jornada. E com elas que a gente aprende.

Ninguém diz, e ninguém quer admitir, mas eu te digo: são os fracassos que nos fortalecem.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

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