A responsabilidade – e pressão – do 3° ano do Ensino Médio: decidindo o futuro aos 17 anos (?)

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Imagem de Jan Vašek por Pixabay

Sei que nesse exato momento há centenas de jovens que estão se preparando para o ENEM e Vestibular. E se você é essa pessoa ou se conhece alguém que está vivendo esse momento, leia com atenção: você não precisa decidir seu futuro agora.

Sim, eu sei que dizem que você precisa iniciar um curso superior após concluir o ensino médio.

Sei que dizem que você precisa tomar uma decisão.

Sei que dizem que essa é a escolha mais importante da sua vida.

Sei que é pressão de tudo quanto é lado.

Mas eu estou dizendo que você não precisa definir seu amanhã hoje.

A ideia principal do nosso sistema de educação é preparar os alunos para o Vestibular. O objetivo principal do Ensino Superior é preparar o aluno para o mercado. E a realidade, por mais dura que possa parecer, é que ninguém sai preparado pra coisa nenhuma.

A gente termina o Ensino Médio com 17 anos. Entra na Faculdade com 18. O que raios sabemos da vida aos 18 anos? Como é que podem exigir que alguém que acabou de sair da escola e alcançar a maioridade tenha certeza do que quer?

A gente não tem certeza nem com 50, imagina aos 18.

Porque a gente muda ao longo do caminho. E tá tudo bem mudar. É melhor sair daquele curso que você achava que tinha sua cara, mas não tem nada a ver, do que ficar cinco anos e se formar em algo que não agrega em nada.

Às vezes vejo jovens de 16-17 anos desesperados porque ainda não sabem o que querem fazer da vida. Por favor, alguém diga a eles que até é possível decidir o que quer agora, mas isso não quer dizer você tenha a obrigação de se fixar em uma formação, uma área, pelos próximos cinco, dez ou vinte anos.

Quantos de vocês, quantos de nós, mudamos de ideia com o passar dos anos? Quanto se formaram em x, fizeram pós em y e atuam em z?

Existem aqueles que desde muito novos sabem o que querem. Existem aqueles que demoram um pouco pra se encontrar. E eu posso afirmar com toda certeza que aquele que sabe o que quer logo cedo, não é um profissional ou uma pessoa melhor do que aquele que mais lentamente encontrou seu caminho.

Eu não sabia o que queria. Fui descobrir no terceiro ano do ensino médio e, felizmente, posso dizer que fiz o curso ideal pra mim. Mas não são todos que podem dizer o mesmo. Porque são muitos que entram na faculdade por pura imposição desse e daquele.

E eu, mesmo tendo sido aprovada na faculdade dos meus sonhos, mesmo fazendo um curso que parecia ter sido feito pra mim, ainda estou me encontrando. Ainda estou buscando meu lugar.

O período que antecede a entrada numa Faculdade costuma ser bastante estressante. Os pais exigem, a escola exige, os colegas exigem, a família exige. Todo mundo quer respostas, todo mundo quer resultados, todo mundo quer clareza e certeza.

E a gente precisa normalizar o “não sei”.

Não tem problema não saber ainda. Não tem problema precisar de mais um tempo pra descobrir. E mesmo depois de descobrir, é bom manter a mente aberta para a mudança. É bom se livrar do peso da obrigação de fazer uma única e exclusiva escolha. A gente faz escolhas todos os dias, o tempo todo.

A gente precisa apoiar, incentivar e orientar os jovens. E dizer a eles, inclusive, que se arrepender faz parte. Cabe a nós o esforço pra tomar decisões sábias, cabe a nós o empenho pra entender nossas aptidões e buscar nosso lugar no mundo, mas nem sempre é como a gente imagina que é.

O importante é não deixar de buscar.

Não se iluda pensando que por ser o curso dos seus sonhos você vai amá-lo do começo ao fim. Aprendi que mesmo naquilo que a gente gosta, vai ter coisas que não vamos gostar.

Mas também não se iluda pensando que se você não decidir seu futuro agora, aos 17 anos, será um fracassado pelo resto da vida. Não se iluda pensando que se não entrar na faculdade no ano que vem estará atrasado, que vai ficar pra trás.

Deixa eu te explicar uma coisa: o relógio da vida é individual. É você quem dita o tempo.

Eu sei que parece que estamos – ou será que realmente estamos? – numa corrida desenfreada contra o tempo, buscando incessantemente nosso propósito. Mas toda descoberta é um processo que pede tempo e paciência.

E eu espero que saibamos ter com nossos jovens a paciência e dar a eles o tempo necessário para fazer escolhas.

Publicado por Bianca Coutinho Lopes

Dois verbos me definem: ler e escrever. Sou uma devoradora de livros e criadora de histórias, dona de imaginação infalível e criatividade incansável.

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